quarta-feira, setembro 29, 2010

A atuação das mulheres na política do Brasil


Elisangela Carrenho

As mulheres compõem a maioria da população do Brasil, representando 40% da força de trabalho. No entanto, no cenário político, a realidade feminina não é tão cor-de-rosa. Apenas em 1928, a cidade de Lajes (RN) elegeu Luiza Alzira Soriano a primeira prefeita da América do Sul. Em 1988, Luiza Erundina foi eleita prefeita da maior capital do país, São Paulo. A primeira governadora seria eleita apenas em 1995. Roseana Sarney ganhou a eleição no Maranhão. Apenas dois dos estados mais populosos do País já elegeram governadoras: Rio de Janeiro, com Rosinha Garotinho, e Rio Grande do Sul, com Yeda Crusius.

Com esse cenário, as eleições 2010 são motivo de comemoração, no sentido de participação feminina na política. Pela primeira vez no Brasil, duas mulheres disputam a presidência da República e estão entre os principais candidatos: Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV). Antes, Lívia Maria Pio de Abreu e Heloísa Helena concorreram à vaga do cargo mais importante da nação. Lívia tentou se eleger em 1989, alcançando o 17º lugar. Heloísa Helena participou da última eleição, em 2006, ficando no terceiro posto.

O fato é que a participação das mulheres cresce a cada ano no Brasil, mas ainda está muito abaixo do que a proporção homem/mulher no país supõe [o último Censo do IBGE aponta a população feminina maior que a do sexo oposto]. No caso da Câmara dos Deputados, em 184 anos de existência, nenhuma mulher nunca ocupou cargo titular na Mesa Diretora da Casa. Somos 45 em 513 deputados, o que significa 8% de representação feminina. No Senado, a situação é um pouco melhor — com 13%. Ainda assim, o percentual de mulheres na Câmara e Senado é um dos mais baixos da América Latina e, também, do mundo.

Em 1996, o Congresso Nacional instituiu o sistema de cotas na Legislação Eleitoral, que obrigava os partidos a inscreverem, no mínimo, 20% de mulheres nas chapas proporcionais. Em 1997, o sistema foi revisado e o mínimo passou a ser de 30%. Ainda assim, isso não ocorre na prática. É uma questão histórica: durante boa parte da história do País, as mulheres não tiveram cidadania plena, nem direitos civis.

Apenas em 1932, no governo de Getúlio Vargas, as mulheres passaram a ter o direito de votar. Ainda assim, o "benefício" só era concedido às mulheres casadas — com autorização do marido —, viúvas e solteiras com renda própria. A emancipação feminina só aconteceu em 1988 com a Constituição, que colocou no mesmo patamar homens e mulheres, que receberam os mesmos direitos e obrigações, sem qualquer tipo de distinção.

A nova lei eleitoral aprovada no Brasil [12.034/2009] determina, além da cota de 30% das vagas para candidatura feminina, a obrigatoriedade dos partidos políticos destinarem 5% do fundo partidário para a formação política das mulheres, e ainda a reserva de 10% do tempo de propaganda partidária em anos não-eleitorais para a promoção da participação da mulher.

Nota-se que a evolução da mulher no cenário político brasileiro é clara. Mas não é fácil mudar a atual realidade. Depende, e muito, da vontade feminina de driblar o machismo, usando como arma o diálogo, a compreensão e aproximação entre homens e mulheres para igualar essas diferenças.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Não maltrate a língua portuguesa!

Tony Claytom

O português é um dos mais belos idiomas do mundo. Mas apesar da beleza e da sonoridade, a língua portuguesa é motivo de tortura para muitos brasileiros.

Escrever o português correto não é tão simples como pode parecer, uma vez que suas diversas regras sempre acabam por nos confundir. Até hoje, muitos de nós ficam naquela dúvida: "aquela palavra é com s ou com z?"; “será que aqui entra uma vírgula ou não?”. Falando em vírgula, é preciso que haja o maior cuidado possível. Porque o risco de cometer um erro nesse sentido é muito grande.

Como estudante de jornalismo, devo ter o domínio da escrita e da leitura, uma vez que são as matérias primas para reportar com maestria uma peça jornalística. Mas como já dizia o saudoso Vicente Matheus, “quem está na chuva é para se queimar". Ao mesmo tempo, reflito sobre os acadêmicos de letras e filosofia. Ora, perto deles, meus dilemas ortográficos são reduzidos a pó.

Por isso, incessantemente lutarei e usarei este espaço de reflexão para que cada vez mais possa melhorar a qualidade, coerência e coesão dos meus textos. Desde já, agradeço à colaboração dos professores que pegam no meu pé por tão nobre causa, e ao eterno amigo e editor-chefe deste espaço, Fernando Silva, o guerreiro. Que com sua paciência e amizade está sempre revisando os textos deste humilde escriba.

Engraçado que há tempos tenho um projeto que pretendo tirar do papel chamado "Não maltrate o português", afinal ouvir por aí, “pobrema”, “cocrete”, “nós vai”, “nós fumo”, “talba”, ”malmita” e outros erros grotescos por aí, definitivamente, não dá.

Sendo assim, nos resta apenas estudar, ler e escrever, necessariamente nesta ordem, e buscar um lugar ao sol dos que tem o dom de escrever um bom texto.

E a vida vai a todo vapor!

Abraços a todos.

A lamentável morosidade dos órgãos públicos no Brasil


Tony Claytom


Por dois dias, vivemos a expectativa de ver aprovada da Lei da Ficha Limpa pelo Supremo Tribunal Federal, mas houve um empate. Trata-se de uma lei importante para todos nessa época de eleição, já que essa seria a melhor forma de não nos depararmos novamente com os Rorizes, Barbalhos, Malufs e outros "nobres" candidatos no processo eleitoral.


Mas o que há é um empate. O povo já não mais aguenta tanta enrolação. No país da morosidade nos órgãos públicos, essa lentidão representa um verdadeiro inferno para o sofrido povo brasileiro. Claro, nada mais poderia se esperar do que um sonoro empate.

Como homem, cidadão e estudante, sinto-me ultrajado, mas o que mais esperar de alguém como Gilmar Mendes e todos que o acompanharam? O mesmo que liberou os presos da Operação Satiagraha da Polícia Federal e que protagonizou com um dos colegas um verdadeiro bate-boca no STF.

Portanto, deixo aqui registrado a minha profunda desolação com todos os órgãos que fazem com que os processos se arrastem durante muito tempo nas esferas jurídicas, aumentando ainda mais a espera por algo de interesse da população. Nessas polêmicas, sempre há alguém que vem lhe dizer: "É assim mesmo. Não adianta ficar revoltado. Ou muda você ou muda o mundo..."

Pois bem. Não sou de ficar "em cima do muro" e não vou mudar, e o mundo não mudará por minha causa. O que temos novamente? Um empate. Pense nisso.

Segue a vida...

Abraço

quinta-feira, setembro 23, 2010

Céu e inferno


Tony Claytom

Há algum tempo, percebo um certo embate entre o céu e o inferno. Falo aqui não somente do lado espiritual e religioso deste tema, mas também tudo que envolve tal questionamento. Senão, vejamos: quando crianças, aprendemos que o céu é o lugar dos justos e dos que aqui na terra não foram pecadores.

Pois bem, com o passar do sempre implacável tempo, acabamos por aprender que as coisas infelizmente nem sempre são bem assim. No atual panorama, se você refletir, chegará à conclusão de que para alcançar o reino da glória, temos de seguir por um longo, tortuoso e espinhoso caminho.

Por muitas vezes, um dos maiores pecados que cometemos é o da mentira, mas como a omissão e o ocultamento da verdade acaba por ser o “melhor caminho”, deixo aqui bem claro que não estou defendo a mentira e muito menos seus adeptos, mas como disse, por muitas vezes mentir se faz necessário.

Sem contar os que agem de má fé, que não tem boa conduta e outros tantos pecados de uma enorme lista que poderia citar aqui para vocês. Agora, percebam que são sete os pecados capitais. Qual deles não praticamos hoje em dia?

Ira: podemos até não desejar o mal a outras pessoas, mas você acredita que o mesmo não se aplica à sua pessoa? Já que no mundo atual, trilhar o caminho certo ou o caminho errado, tanto faz? Já que irão falar a seu respeito da mesma forma e quase sempre, falarão mal.

Soberba: há falta de amor e compaixão para com o próximo hoje em dia. Nos momentos atuais, se mata, se engana e se passa por cima do bom senso em nome do poder e do seu contentamento pessoal, afinal, que se o próximo.

Luxúria: dê dinheiro e poder a uma pessoa e terá a explicação desse pecado.

Enfim amigos, eu poderia passar horas aqui dissertando sobre esta questão ou sobre este embate, como queiram. Mas como este é um espaço de reflexão, fica a dúvida: de qual caminho estamos mais perto do céu ou do inferno? Claro que, por muitas vezes o caminho a seguir depende única e exclusivamente de nós mesmos. No entanto, muitas vezes também não é bem assim... Pensem nisso pois é vida que segue.

Abraço

quarta-feira, setembro 22, 2010

Precisamos evitar o fim

ELISANGELA CARRENHO

Nosso planeta caminha cada dia com mais rapidez para um desastre ambiental de grandes e irreversíveis proporções. E diante desse desastre iminente, nos perguntamos, talvez com a mesma rapidez: o que faremos para evitarmos esse temoroso fim?

Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos, e entretanto, a urgência em deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta acaba sendo esquecida, como evidenciam muitas de nossas atitudes.

Sim, porque, o que adianta fazermos campanhas, movimentos, alertarmos o MUNDO à nossa volta para um problema como este, se não começarmos a nos policiar? E quando digo “nos policiar”, me refiro às nossas atitudes, no nosso cotidiano, que por muitas vezes nos passam despercebidas, pois para que isso aconteça, teremos que travar uma batalha, contra hábitos enraizados em nossa cultura há anos, eu diria até milênios.

Hoje, o homem se encontra escravo de sua própria sorte; aliás, o ser humano caminha para a colheita do que tem plantado há tempos: descaso com o meio ambiente, destruição de florestas, poluição de lagos, rios, mares; contaminação do ar por poluentes e agrotóxicos, destruição da camada de ozônio, e por aí vai.

Sim, amigos, sabemos que o fim está próximo. Mas não conseguiremos reverter esse quadro, à não ser que tomemos ainda hoje uma atitude, uma postura contrária à da que estamos tendo desde que nos conhecemos por gente; o tempo urge, e com ele, necessitamos mudar, para que, juntos, cada qual fazendo sua parte, tenhamos a reversão de uma catástrofe ambiental, em nível mundial.

Que hoje, cada um de nós possa refletir sobre essa mudança; que com cada qual, fazendo sua parte, se caminhe para um mundo mais limpo, tanto na questão ambiental, como na formação de seres humanos mais conscientes e educados ecologicamente.

Uma pensata sobre a falta de bom senso na campanha eleitoral

Tony Claytom

Olá pessoal!

É como imenso prazer que me junto aos meus amigos e escrevo neste espaço de reflexão.

Pois bem. Para começar, gostaria de falar um pouco mais sobre o "inferno diário" chamado eleições. Vejam bem. Nestes dias que precedem o processo eleitoral, a nossa região é tomada por uma imensa poluição visual. Claro que os respectivos candidatos acham que estão agradando, mas ver tantas placas, banners e afins pelas ruas chega a nos causar stress. Sem contar a imensa distribuição de santinhos.

Só para dividir com vocês o que me aconteceu no último fim de semana. Minha mãe me pediu para levá-la uma festa de um amigo no último sábado. Chegando lá, eis que aparece um candidato a deputado. Sim, amigos. Nessa época, temos a impressão de que eles se multiplicam, pois estão por todos os lados.

Então o político veio conversar conosco, e é sempre aquele mesmo papo: "Meus caros amigos..." Tapinha nas costas e tudo mais, como se fossem velhos amigos nossos. Não satisfeito, o candidato distribuiu no mínimo 20 santinhos nas mãos de cada um de nós. Se levarmos em conta que estávamos em quatro, entre elas minha sobrinha de apenas dez anos e que sequer vota, fica difícil acreditar em alguém com tão nobres intenções.

Refleti sobre o assunto e indaguei a mim mesmo: "Para quê tanto santinho? Será que ele está pensando que serei cabo eleitoral dele?". Pois bem, o que acabo de relatar aqui, acontece todos os dias com várias pessoas, e nos mais variados lugares. Agora vejamos; Como alguém que sequer respeita a natureza e suja a cidade com milhares de papeis todos os dias, se diz representante do povo nos próximos quatro anos?

Finalmente, gostaria de falar sobre o pior dos infernos nessa época.  Os carros de som, a sujeira nas ruas, a poluição visual e também a poluição sonora. Onde tudo isso vai chegar? Se levarmos em conta que daqui a dez dias teremos eleições, e se todo esse dinheiro gasto em campanha vai literalmente para o lixo, porque não investir tais recursos em ações sociais? Seguramente, os mesmos candidatos seriam muito mais bem quistos por todos.

Pensem nisso, porque é vida que segue...

terça-feira, setembro 21, 2010

Acorda, Brasil!

Elisangela Carrenho

Brasileiro sempre teve mania de reclamar dos seus governantes.

Reclamava dos administradores das Sesmarias e das Capitanias Hereditárias; dos governadores gerais e dos imperadores.

Reclamava dos presidentes da Velha República e da República Velha, dos militares, de Sarney, de Collor, de Itamar, de FHC, reclama de Lula...

Não reclamaram de Tancredo Neves porque morreu antes da posse!

Logo teremos um novo presidente, novo governador, outros deputados... Ou os mesmos! Mas o povo vai continuar a reclamar. Sabe por quê?

Porque o problema não está nos deputados, senadores, presidente, governador, prefeito, funcionário. O problema está naquele que reclama: você e eu; nós!

O problema está no brasileiro. Afinal, o que se poderia esperar de um povo que sempre dá um jeitinho? Um povo que valoriza o esperto e não o sábio?

Um povo que aplaude o vencedor do Big Brother, mas não sabe o nome de um escritor brasileiro? Um povo que admira o pobre que fica rico da noite para o dia? Ri quando consegue puxar TV a cabo do vizinho?

O que esperar de um povo que não sabe o que é pontualidade? Joga lixo na rua e reclama pela sujeira? O que esperar de um povo que não valoriza a leitura, que finge dormir quando um idoso entra no ônibus? Prioriza o carro ao pedestre? O que dizer de um povo que reclama pra receber do governo livro didático gratuito para o filho (a) e não vê que esse aluno (a) deixa os livros todos os dias em casa e vai para a escola perturbar a aula e prejudicar os que querem realmente estudar e aprender? O problema do Brasil não são os políticos; são os brasileiros! Os políticos não se elegeram; fomos nós que votamos neles. Político não faz concurso, ganha votos: o seu e o meu! Pense nisso!!!!

Coruja: curta-metragem sobre Bezerra da Silva

Fernando Silva — no twitter, @fernandomagall

Eis a voz de um revolucionário do morro. Seu nome, Bezerra da Silva. Um dos maiores partideiros da história, que deixou seu legado na música e na sociedade, sobretudo na carioca, mas que se estende por todo esse Brasil varonil. 'Coruja', curta-metragem, dirigido por Márcia Derraik e Simplício Neto, divulgado no Portal Curtas, mostra a origem das músicas de Bezerra, composta pela nata dos compositores cariocas, os malandros, malandros trabalhadores. Tem apenas 15 minutos. Vale a pena! Curta o curta!

A crise da UNIESP e a nossa revolução

Fernando Silva — no twitter, @fernandomagall

Pois bem, meus caros,

Semana passada, vivemos (não todos, já explico) momentos extremos em nossa faculdade. Começamos a semana respirando os ares da incerteza acerca de nosso futuro, já que a UNIESP, em crise financeira (que até agora não sabemos oficialmente o porque, já que as mensalidades andam em dia), atrasou o salário do corpo docente. Impossibilitados e desmotivados, claro, pela falta do dinheiro mirrado de cada mês (vale lembrar, os últimos meses na antiga Hoyler duravam até 90 dias), não havia condições de que as aulas fossem ministradas, o que culminou no caos que se instaurou desde o início do atual semestre.

Pois bem. Enquanto muitos coleguinhas que ameaçavam se desligar da faculdade — e não compareceram uma vez sequer no manifesto — outros, com espírito de revolução, poucos (perto de 200, muito pouco se levarmos em conta que a faculdade tem cerca de mil alunos matriculados) que se fizeram muitos, bradavam pela resolução do caso, pelo pagamento dos professores e pelo restabelecimento das aulas.

A situação andava preta, bem preta. Não havia nenhum posicionamento da instituição a respeito. Nossos professores, ameaçados de demissão por justa causa, ficaram impossibilitados de se manifestar. Coube a nós, alunos, clamar pelos direitos de nossos mestres e funcionários da UNIESP, e consequentemente, dos nossos também. Quem lê esse manifesto, pode pensar que foi fácil. Ao contrário. Foram horas de luta no frio de Hortolândia, negociações, reuniões, informações desencontradas, manifestações bravas de quem lutou até o fim.



A vitória chegou, não sem antes, muito sacrifício. Evidente que a divulgação na grande mídia ajudou (agradecimentos às presenças da TVB, EPTV e O Liberal), mas a maior força, sem dúvida, foi a nossa! E é sobre isso que quero falar.

Ainda que não tenhamos feito mais do que a nossa obrigação, que é lutar pelos nossos direitos, modéstia à parte, estamos de parabéns. Não é fácil sair da zona de conforto e brigar, se unir em torno de um único ideal. Mas nosso futuro está em jogo. Nossa vida universitária de hoje representa nossos rumos profissionais no amanhã. E é por isso que exalto as nossas atitudes ao marcar ponto todo dia na frente da faculdade, ainda que as negociações tenham sido muito difíceis, arrastadas, e que por muitas vezes, caminhavam para um cenário sem solução. Mas vencemos!

Endosso o e-mail que nossa brava companheira Elisângela enviou aos integrantes da classe, convocando a todos para participarem da batalha. A luta não se faz sozinho. É com muita união e espírito de revolução (como Che) que as coisas acontecem. Até no dicionário, a vitória só vem depois da luta. Infelizmente, alguns coleguinhas, talvez bancados por pai e mãe, deram as costas para a nossa causa e preferiram esperar sentados, deitados ou sei lá como, no quentinho de seus respectivos lares, uma solução pelo caso. Solução, para estes, cômoda, talvez.



Como diz a música do Scorpions, ouça os ventos da mudança. O clip é uma ode à revolução!

O fato é que, em uma sociedade que cada vez mais se caracteriza por uma passividade acerca de vários assuntos que lhe dizem respeito (política, vida social e estudantil, porque não?), os 200 estudantes — ou até menos — que lá estavam, se multiplicaram e alcançaram a vitória. No futuro que cada vez mais se aproxima, o da nossa formatura, vamos nos lembrar com carinho desse momento, que certamente, entrou para a história. Escrevemos essa página na história e não nos submetemos, nem ao comodismo, tampouco aos comentários mesquinhos de que nosso esforço seria em vão. Chegamos à vitória. Mas temos de estar vigilantes, atentos, para que esse tipo de situação não mais aconteça.

A vitória é nossa! Como diria nosso companheiro e representante Carlão, alunos unidos jamais serão vencidos!

E tenho dito!

"Hay que endurecerse, pero, sin perder la ternura jamás"
Che Guevara

sábado, setembro 11, 2010

Pior do que está não fica? Fica sim!

Fernando Silva — no twitter, @fernandomagall

"Não vemos graça nas gracinhas da TV, morremos de rir no horário eleitoral". Sábias palavras de Humberto Gessinger, que são perfeitamente aplicadas ao momento atual no Brasil, a menos de um mês da eleição que definirá os governantes do país nos próximos quatro anos (ou oito, no caso dos senadores). Mas o fato é que o pleito virou mesmo um circo.

A cada eleição, as coisas andam piores. Se já não bastasse a maioria dos candidatos repetir o mantra vazio "saúde e educação para todos", é cada vez mais crescente o 'fenômeno' de postulantes à um cargo público que usam de subterfúgios 'cômicos', ou traduzindo no mais claro português, fazem o povo de trouxa, de babaca, de palhaço.

Mas você há de perguntar: "Mas, e a democracia?". Pois é. A questão nem é quem se candidata, mas sim a forma como cada aspirante à uma vaga na vida pública encara o processo eleitoral, e consequentemente, o eleitor. Sem querer fazer alusão a qualquer candidato, já fazendo, algumas campanhas subestimam a capacidade intelectopolítica do brasileiro como um todo.

Embora Tiririca seja a grande bandeira do escárnio em que se transformou o sufrágio universal neste ano (só para ficar no Estado de São Paulo), outros candidatos, muitos com discursos que chegam a ofender a inteligência do povão, invadem as nossas TVs no horário nobre. Aí vai uma amostra do que teremos de ver até o fim do horário eleitoral.



Tadinho do eleitor. E assim caminha a mediocridade.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Inferno na música: a geração perdida

A medida que a idade vem, ficamos nostálgicos. Tudo que vem do passado é bem melhor do que agora. Ainda que hoje vemos a perfeição técnica de jogos como Playstation 3 e Xbox, por exemplo, lembramos com carinho do Atari, ou do Master System, para os mais novos. Mesmo que hoje uma boa parte de nós estudantes tenhamos nosso próprio computador, ou mesmo um laptop, não há como se esquecer do Pense Bem, aquele da Tec Toy. Culturalmente é assim também. Não se fazem mais escritores como Fernando Pessoa, Machado de Assis ou mesmo o recém-falecido José Saramago. Hoje, salvo exceções, os livros são apenas bons, mas não tem mais a mesma poesia de algumas décadas atrás.

Quanto à música, é a mesma coisa. Particularmente, sou um cara eclético e gosto de escutar quase tudo. Como até já foi debatido em classe, uma das facilidades da internet foi o compartilhamento de músicas, o que permitiu um acesso muito maior do povão aos álbuns que só poderíamos adquirir a preços altos para época. E assim pude apreciar com mais atenção obras de arte de Tom Jobim, Chico Buarque (muito graças ao Claytom), Caetano Veloso, Gilberto Gil, Vinícius de Moraes, isso, só para ficar na MPB. Temos outros grandes nomes que honram a música brasileira por esse mundo, como Maria Rita, Roberto Carlos (porque não?), além do mestre Tim Maia.

Por que digo isso? Porque nos dias atuais, a música tupiniquim passa por uma grande entressafra intelectual. Claro, respeito os gostos, cada um tem o seu, mas, espere um pouco. Quando até mesmo o diretor de um dos prêmios musicais mais respeitados do Brasil pede demissão por causa do nível dos premiados, é porque a coisa anda preta, bem preta. Enfim, um cara de coragem, ou de "saco roxo", como diria outro.

O fato aconteceu logo após o 17º Prêmio Multishow. O diretor Guilherme Zonta pediu demissão logo após a "festa" que premiou "ótimas" bandas como NX Zero, Restart e Fresno. Decepcionado com o resultado da premiação, e mais ainda, com o nível dos premiados, Zonta deixou a casa. Atitude corajosa, digna de um cara de opinião, que abriu mão de um salário provavelmente polpudo, por não concordar com a onda comercial e medíocre que invade a música nacional.

Infelizmente, o gesto de Guilherme soa como um grão de areia na praia. A geração está mesmo perdida. Veja a fala de um zé ruela do Restart, quando foi questionado sobre a decisão do agora ex-diretor. "Somos a salvação do rock! Não sei o porque de tanta má vontade com a gente! Somos os Beatles do ano 2000! Além de sermos um bando de jovens com fãs histéricas, também temos 300.000 seguidores no Twitter".

Acho que John Lennon revirou no túmulo depois dessa. Que seja uma onda passageira, para o bem da cultura, e principalmente dos ouvidos da nova geração. Como diria Chico Lang, e assim caminha a mediocridade.

Fernando

Grande Premio de San Marino de 1994 – a corrida que não vi

Já que o tema do blog é todo relacionado com o inferno, aí vai um texto que escrevi para meu antigo blog, quando ainda era operário da Honda. Hoje, sigo como operário, só que agora, da notícia. Embora seja um texto longo, vale ser retratado, já que aquele fim de semana foi terrível, inacreditável até hoje, ou infernal, como diriam alguns.

Onde estava você no 1º de maio de 1994? Fatalmente você já respondeu a essa pergunta. Para mim, aquele final de semana foi atípico. Foi uma das únicas corridas que não assisti (a outra foi a do Grande Premio do Japão, vencida por Damon Hill, no final do ano, em que eu fui batido pelo sono), mas foi por  motivo de trabalho. Aos 14 anos, estava trabalhando esporadicamente, entregando jornais para o Good Bom, e isso me consumiu todo o final de semana, de sexta a domingo, último dia, até as 11:00. Gostaria muito de ter assistir o Grande Premio de San Marino, já que era o momento ideal para o início da virada para Ayrton Senna. Estava 20 a 0 para Michael Shumacher, com o canhão Benetton Ford B194. Senna, com a Williams Renault FW16, já não era o poderoso carro que dominou a Fórmula 1 em 92 e 93, com Mansell e Prost, respectivamente.

O ano de 1994 começou de forma dura, com Senna criticando o carro, e sentindo falta da antiga equipe McLaren. No primeiro Grande Premio do ano, em Interlagos, Senna largou na pole, com Schumacher ao seu lado, e toda a multidão esperando por um banho do carro nº 2 da Williams. Naquela corrida, Schumacher largou mal e perdeu a posição para Jean Alesi, com Ferrari. O alemão da Benetton superou o ferrarista ao final da segunda volta e foi à caça de Ayrton. Senna ponteou a corrida, porém sempre pressionado por Schumacher, até que veio o primeiro pit stop. Schumacher entrou em segundo e saiu em primeiro. Daí por diante, foi abrindo uma vantagem, entre cinco e seis segundos sobre Senna, a ponto do brasileiro errar na subida da junção. Fim de prova para Ayrton, a multidão vai embora decepcionada, e Schumacher soma os primeiros 10 pontos.

Em Aida, circuito japonês, novamente a disputa na classificação foi protagonizada pelos dois, comprovando que seria a briga pelo título seria entre a Williams Renault nº 2 contra a Benetton Ford nº 5. Dividiram a primeira fila mais uma vez, com Senna cravando a pole nº 64 da carreira. Era chegada a hora de Senna vencer a primeira com o carro azul e branco da Williams. Mas a expectativa durou apenas alguns segundos. O brasileiro largou mal e Schumacher tomou a ponta, e Hakkinen tocou na traseira do carro de Ayrton. Com isso, o alemão dominou tranquilamente, faturou a segunda no ano e abriu 20 pontos na classificação.

Em Ímola, era a hora da virada, era o momento do início da reação. Não pude assistir àquele Grande Premio. Hoje avaliando, não sei se foi bom ou ruim. Mas tive que trabalhar, ganhar um dinheirinho, comprar minhas coisas e ajudar em casa, isso com quatorze anos. Abri mão de uma classificação e corrida nas manhãs de sábado e domingo, respectivamente, por esse objetivo. Pensei: “Vou torcer em pensamento, chegar em casa e comemorar a vitória do Senna!”. Acompanhei pelos telejornais o acidente pavoroso com Rubens Barrichello, na sexta-feira, dia 29. Foi assustador, até para mim, que desde que comecei a acompanhar a Formula 1, no final de 1986, nunca tinha visto nada igual.  O mais grave que havia visto até então foi o acidente do Piquet em Indianapolis, e só. Mas o acidente de Barrichello resultou além do nariz quebrado do piloto, a ausência do brasileiro da qualificação e corrida, e um grande susto em todos no paddock. Senna foi o primeiro a se pronunciar e a se posicionar, tranquilizando a todos de que Rubens estava bem. Foi um dia bem tenso, acredito.

Sábado, dia 30, a kombi do supermercado passou para me apanhar por volta das 8 horas. Não pude nem começar a ver o treino, mas era por uma boa causa. Fiquei fora o dia inteiro. E naquela época, ainda sem internet, só conseguiria informações a respeito quando chegasse em casa. Hoje em dia, em qualquer lan house, voce consegue se informar sobre tudo. Sabia que Senna tinha tudo para ser o pole position, o que de fato se confirmou, novamente com Schumacher em segundo. Não sabia, porém, que aquele treino entrou para a história de forma fatídica, com a primeira vítima fatal depois de 8 anos. Em casa ninguém havia acompanhado ao treino, e tive que esperar o Jornal Nacional dar a fatídica notícia, na voz do Cid Moreira, se não me engano: “Tragédia na Fórmua 1″. Não esperava que fosse morte, ninguém na verdade espera pelo pior.

Mas o pior já havia acontecido. Sinceramente, aos 14 anos, embora acompanhasse muito sobre automobilismo, desconhecia o austríaco Roland Ratzemberger, embora tivesse muita simpatia pelo carrinho roxo MTV (canal que tinha muita vontade de assistir, mas muita dificuldade em sintonizar). Aquela imagem no telejornal da batida na curva Villeneuve, e a forma como a cabeça do piloto ficou, sem sustentação alguma, além dos paramédicos tentando reanimar o austríaco, foi chocante. Jamais imaginaria ver isso.

Morte? Isso era coisa dos tempos antigos, década de 60, 70 no máximo. Certamente ninguém jamais pensou que tal fato viesse a ocorrer. Acreditei que nesses casos as corridas fossem canceladas, ou adiadas, em respeito à vítima fatal. Mas também me surpreendi, percebi desde criança que para muitos, o dinheiro, os interesses comerciais, prevalecem sobre a vida humana, os sentimentos, a vida, a morte…

Senna, já com a pole position garantida, foi o único a visitar o local do acidente e presenciar o que de fato aconteceu com Roland. Pelo que eu li dos jornais e revistas da época, foi duramente criticado pelas “altas autoridades” da Fórmula 1, leia-se Max Mosley e Bernie Ecclestone. Acredito que tenha sido um momento dramático na vida de todos que estavam ali. Muitos estreando, alguns experientes, mas por mais que corressem risco de morte, devido à profissão, ninguém, absolutamente ninguém acreditava, e aceitava que a morte estava ali, bem perto.

Foi com esse clima de total tensão, tristeza, que a muito tempo não ocorria na categoria, que se iniciou o dia da corrida, 1º de maio. Um grave acidente na sexta, uma morte ao sábado. O bom senso diria que, na minha opinião, em uma situação com essa, ou cancela, adia, mas que não se realizasse tal disputa.

No domingo, fui cumprir meu último dia da minha empreitada como entregador de jornais. Fui com o coração na mão. Com medo de que acontecesse algo de grave com algum piloto, queria que o domingo não fosse negro, como nos dias anteriores. Entreguei os jornais perto do bairro onde moro e aproveitei que vi uma tv ligada em uma casa, fui dar uma espiada, vi vários carros lentos. Não imaginei nada de grave, só queria que tudo e todos estivessem bem, e que o Senna vencesse aquela “carrera”. Fiz o meu trabalho, encerrei por volta das 11horas, ganhei meu dinheirinho e lá fui eu para casa saber se o Ayrton tinha começado a sua reação. Perguntei à minha mãe, assim que cheguei, quem tinha ganho: “Schumacher”, disse ela. Schumacher?? 30 a 0?? ”E o Senna, mãe?”  ”O Senna tá no hospital, não sei o que vai ser!” Como assim, pensei, como assim??

Tomei meu banho rápido e fui pra sala ver mais notícias. O plantão dava as notícias a todo o tempo, e quando a Globo mostrou as imagens do acidente, aparentemente acreditei que tudo fosse apenas um susto, pois já tinha visto muitos acidentes, em termos de imagem, piores, como vários da Fórmula Indy. Depois vi as imagens de sangue e notei que tudo era muito sério. As vozes que eu ouvia eram cada vez mais graves, com uma sonoridade muito triste. Roberto Cabrini entrava no plantão e a todo momento frisava que o estado de saúde do Ayrton era muito grave. Lá no fundo eu pensei: "O Ayrton morrer? Como vai ser?"

Por volta de 13:30, não me lembro bem, Cabrini deu o plantão final, e decretou o trágico desfecho. Depois daquele final de semana, não perdi mais nenhuma corrida, até hoje. Não presenciei ao final de semana mais negro da história do automobilismo moderno. Hoje continuo apaixonado pelas corridas, acompanho tudo, seja Nascar, Truck, Indy, Formula 1, kart, tudo. Mas aquelas lembranças jamais serão esquecidas.

Fernando

Apresentação

Em uma de nossas aulas da disciplina de "Oficina de Redação", ministrada pelo mestre Allan, nossa classe foi dividida em grupos, onde deveríamos debater e fazer a apresentação de um trabalho sobre questões ligadas ao "Céu" e ao "Inferno". Pois bem, nosso grupo vai para o inferno, no bom sentido, diga-se.

Bem, mas quem forma o grupo, digníssimo cara pálida? São estudantes do 4º semestre do curso ainda conjunto de Publicidade e Propaganda e Jornalismo da UNIESP em Hortolândia — que diga-se de passagem, não sabemos se vai continuar ou falir, dado o descaso com os professores e também com os alunos. Os integrantes do time são Claytom, Elisangela e Fernando (futuros jornalistas), além de Gislene e Rafael, da nova leva de publicitários deste Brasil.

Por unanimidade, decidimos que nosso trabalho seria a elaboração e criação deste blog, no qual o objetivo principal é o de levar temas relacionados ao inferno, mas não apenas na acepção religiosa da expressão. O inferno pode ser no cotidiano, na religião, na música, em nossas cidades, no país, na saúde, transportes, enfim. O tema é extremamente amplo e é válido refletir sobre ele.

Também iremos abordar temas diversos, pois este blog é um espaço criado não somente para apresentar nosso trabalho, mas serve para levar um pouco de reflexão, conhecimento e entretenimento a nossos leitores. Mas só um pouco, já que o universo virtual é gigantesco, e somos agora apenas mais um grão de areia no meio dessa praia que é a blogosfera.

Vale lembrar, os assuntos aqui abordados serão tratados com absoluta imparcialidade, embora seja difícil em certos casos, pois há que se levar em conta que cada mebro do grupo tenha suas opiniões a respeito. Pretendemos explorar assuntos que possam fazer com que os leitores se identifiquem com o perfil de nosso humilde e novato blog.

Sejam bem vindos a este espaço. Esperamos que nossa iniciativa o leve a uma viagem positiva, através da leitura e reflexão dos nossos temas, e claro, contamos com a participação de vocês.

Um grande abraço!

Claytom, Elisangela, Fernando, Gislene e Rafael.